Com gol de Ferran Torres aos 106 minutos, seleção espanhola derrota a atual campeã Argentina por 1 a 0 em Nova Jersey e levanta sua segunda taça da Copa do Mundo
Nova Jersey (EUA) — Dezesseis anos depois de conquistar seu primeiro título mundial na África do Sul, a Espanha voltou ao topo do futebol. Em uma final marcada pelo equilíbrio, pela intensidade e pela excelência defensiva, a equipe comandada por Luis de la Fuente venceu a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, neste domingo, no MetLife Stadium, em East Rutherford, e conquistou o bicampeonato da Copa do Mundo. O gol histórico foi marcado por Ferran Torres, aos 16 minutos do segundo tempo da prorrogação.
A conquista encerra um ciclo iniciado após a eliminação espanhola na Copa de 2022 e confirma a ascensão de uma geração talentosa liderada por nomes como Rodri, Lamine Yamal, Nico Williams e Pedri. Mais madura, equilibrada e consistente, a seleção espanhola terminou o Mundial como dona da melhor defesa da competição, sofrendo apenas um gol em oito partidas, um recorde para uma campeã do torneio.
Do outro lado, a Argentina viu escapar a possibilidade de conquistar o bicampeonato consecutivo. A equipe de Lionel Scaloni encontrou dificuldades diante da organização espanhola e pouco conseguiu criar ofensivamente durante os 120 minutos. A derrota também marcou, muito provavelmente, a despedida de Lionel Messi das Copas do Mundo. O camisa 10 deixou o gramado emocionado, encerrando uma trajetória histórica iniciada em 2006 e coroada com o título de 2022.
Uma final de tensão até o fim
A decisão foi marcada por um domínio territorial da Espanha desde os primeiros minutos. A equipe controlou a posse de bola, ocupou o campo ofensivo e obrigou Emiliano Martínez a realizar diversas intervenções importantes.
Apesar da superioridade espanhola, o placar permaneceu zerado durante o tempo regulamentar. A Argentina apostava em transições rápidas e na experiência de Messi, mas encontrou enormes dificuldades diante da marcação comandada por Rodri e pela sólida atuação da defesa espanhola.
Na prorrogação, o cenário tornou-se ainda mais favorável aos europeus após a expulsão de Enzo Fernández. Poucos minutos depois, Nico Williams desviou de cabeça dentro da área, a bola sobrou para Ferran Torres, que finalizou sem chances para o goleiro argentino, decretando o título espanhol aos 106 minutos.
O brilho da nova geração
Embora Ferran Torres tenha marcado o gol decisivo, o grande símbolo da campanha espanhola foi Lamine Yamal. Aos 19 anos, o atacante confirmou o status de principal estrela da nova geração do futebol europeu e foi decisivo durante toda a competição.
No meio-campo, Rodri voltou a demonstrar por que é considerado um dos melhores jogadores do mundo. Inteligência tática, precisão nos passes e liderança fizeram dele um dos pilares da campanha.
Sob o comando de Luis de la Fuente, a Espanha consolidou uma equipe que alia posse de bola, intensidade física e organização defensiva, características que marcaram toda a trajetória até o título.
Festa toma conta da Espanha
Poucas horas após a conquista, milhões de torcedores foram às ruas em diversas cidades espanholas. Em Madri, cerca de 1,8 milhão de pessoas acompanharam o desfile dos campeões em ônibus aberto. A delegação foi recebida pelo rei Felipe VI e homenageada pelas principais autoridades do país, transformando a conquista em uma celebração nacional.
A Real Federação Espanhola de Futebol também atualizou imediatamente seu escudo, acrescentando a segunda estrela acima do brasão, símbolo dos dois títulos mundiais conquistados pelo país, em 2010 e 2026.
Um novo capítulo na história
Mais do que um título, a conquista representa a consolidação de um novo ciclo para o futebol espanhol. Depois de dominar o cenário internacional entre 2008 e 2012 e atravessar um período de reconstrução, a seleção reaparece como referência técnica e tática do futebol mundial.
Com um elenco jovem, uma identidade de jogo bem definida e jogadores já protagonistas nos principais clubes da Europa, a Espanha encerra a Copa de 2026 não apenas como campeã, mas como a seleção a ser batida no próximo ciclo rumo ao Mundial de 2030.
